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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

sobre processos criativos

E. S.: ; pois que a música é uma casca de noz. Oca. Faz toc, toc em eco por dentro. Mas o que ouvimos é só uma casca, rugosa e seca.

P. B.: O oco é controlável e conformável: dodecafonismo.

E. S.: O dodecafonismo pode ser oco: dodecafonice. Prefiro meus sons leves como ovos.

P. B.: O ovo se quebra ao menor descuido, e todo o conteúdo se perde para sempre. Tua forma é fraca; preferes o ovo porque te falta a estrutura.

E. S.: Preferes a Estrutura porque te falta a superfície delicada e seca da casca de ovo. Ou melhor, porque és seco em demasia e muito pouco delicado.

P. B.: Te falta a técnica.

E. S.: Em ti, ela excede.

M. D: Bah!, no fundo, balelas: basta assinar e estabelecer: eis a criação. Enquanto discutis, eu faço.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O estúdio de Villon

Boa parte da discussão girava em torno do maior nome da pintura do século XX. Mais alguém aqui percebe que se trata de uma discussão infindável? Se continuarmos com o assunto, terei que me retirar – disse um cubista herético que poucos ouviram falar. O engraçado é que naquelas reuniões todos tinham a mesma cara afetada, e não passavam de comerciantes, advogados, assalariados, esposas que vinham de brinde, e claro, outros artistas. No final do encontro, tiravam duas ou três fotografias do grupo todo; meu irmão Gaston – ou Jacques Villon, como vocês devem conhecer – organizava a reunião e fazia questão da fotografia tirada duas ou três vezes, para todos aparecerem. Aqui estou eu, entre o Léger e o Juan Gris, na fileira da frente. Aqui o meu irmão. E aqui a mesinha com a jarra amarela que deve ter inspirado o Marcoussis. Isso, era amarela.